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RESUMOS

Vacinas

Vacinas em dermatologia – 2018

Apresentado por: Keneth J. Tomecki, MD
Dept. of Dermatology, Cleveland Clinic, Cleveland, OH, USA

As vacinas foram uma das grandes contribuições das ciências médicas, com melhor relação custo-benefício, na prevenção das doenças e preservação da saúde da população humana. A vacinação pode ser considerada como um dos 10 avanços mais importantes em saúde pública nos EUA. A maioria das vacinas protegem contra doenças infecciosas, especialmente contra vírus e algumas bactérias. Como são injetáveis em quase sua totalidade, a administração implica em um pouco de dor e desconforto. As mais importantes em dermatologia incluem as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola(SCR), varicela, herpes zoster, HPV e melanoma. Na tabela 1a e na tabela 1b são descritas as características e resultados mais importantes das vacinas relevantes em dermatologia.

A vacina contra a varicela oferece proteção por toda a vida. Com a sua utilização, diminuiu-se a incidência em aproximadamente 90% e, quando a doença surge em indivíduos vacinados, a sintomatologia é muito leve e facilmente controlável. A mortalidade por varicela diminuiu aproximadamente 70% em todo o mundo.

A probabilidade de se desenvolver uma infecção por herpes zoster ao longo da vida, para qualquer pessoa da população geral, oscila entre 4% e 5%. A probabilidade aumenta com a idade pois a imunidade celular perde naturalmente a sua efetividade. Aos 50-60 anos de idade, a probabilidade de se desenvolver a infecção aumenta em 25 - 30%, sendo este o momento mais oportuno para recomendar a administração da vacina. Nos pacientes que desenvolvem herpes zoster, a vacina deve ser administrada imediatamente ou dentro das primeiras 24 - 72 horas, juntamente com a gabapentina para diminuir a dor neuropática associada (neuralgia pós-herpética). O paciente deve manter repouso e abster-se de suas atividades escolares ou laborais.

Embora a vacina contra o herpes zoster exista nos EUA desde 2006, foi desenvolvida recentemente uma versão mais eficaz e segura que emprega vírus inativados. Sua eficácia foi de 90% em pacientes com idade superior a 50 anos, e até mesmo naqueles acima de 70 anos. Demonstrou reduzir o aparecimento de infecção por herpes zoster, bem como a neuralgia pós-herpética. Essa é a vacina recomendada atualmente para adultos saudáveis (aprovada pela FDA em 2017). Por ser produzida com vírus inativados, pode se recomendada a pacientes com diabetes e imunocomprometidos.

O vírus do papiloma humano (human papilloma virus, HPV) provoca verrugas e papilomas. Existem mais de 100 sorotipos diferentes do HPV. O HPV 16 e 18 causam 70% dos casos de carcinoma do colo do útero, enquanto que o HPV 6 e 11 causam 90% das verrugas venéreas. A vacina aprovada pela FDA (2015) e disponível atualmente nos EUA é a Gardasil 9. Ela contém, além dos sorotipos 16, 18, 6 e 11, cinco sorotipos adicionais (31, 33, 45, 51 e 58) também envolvidos no câncer de colo uterino, e apresenta eficácia de 95%.

Ocasionalmente, as vacinas são usadas para tratar uma doença, como no caso das vacinas para certos tipos de câncer. Em dermatologia, duas vacinas para o melanoma metastático, GP-110 Peptide AVccine/IL2 e Talimogene Laherparepvec (T-Vec), são especialmente relevantes. A segunda, para uso intralesional, contém um vírus oncolítico que contribui significativamente para a sua eficácia.

Na tabela 2, estão listadas as vacinas recomendadas em situações clínicas específicas e de risco alto de exposição.

É fundamental ter em consideração que as vacinas não são somente para crianças (crença popular). Por exemplo, a gripe causa entre 300.000 e 650.000 mortes/ano em todo o mundo. Nos EUA, 3.000 a 50.000 mortes/ano, 95% das quais em adultos com idade superior a 60 anos. Na tabela 3, resumem-se as vacinas recomendadas em idosos.

Por outro lado, as vacinas são seguras e eficazes (usualmente com efeitos secundários menores) e as contraindicações reais, raras (reações por hipersensibilidade, complicações neurológicas). Tais qualidades servem como estímulo ao seu uso.

Diversos fatores requerem atenção para melhorar o acesso, a disponibilidade e o uso das vacinas: salientar a relação risco x benefício; vias alternativas de administração que provoquem menos desconforto, prescindindo do uso de agulhas e picadas; combinações; mais e melhores adjuvantes; reduzir o seu custo; derrubar mitos e contra-argumentar o movimento antivacinação.

Diversas vacinas são necessárias no futuro: HIV/AIDS, tuberculose, zika, dengue (disponível no México e no Brasil, com uma eficácia de 35%), malária, ebola, entre outras.

  • Evitar vacinar, se existirem contraindicações reais
  • Adiar, na presença de doenças acompanhadas de febre moderada/alta
  • Vacinar, se existir uma doença menor atual ou recente, com ou sem febre, incluindo diarreias
  • Vacinar, no caso de uso atual ou recente de antibióticos (exceto no caso da vacina oral contra o tifo Ty21a)
  • Vacinar, no caso de antecedentes de reação adversa leve ou moderada em uma vacinação anterior
  • Vacinar, no caso de antecedentes pessoais ou familiares de alergias.

Recomenda-se vacinar as pessoas adultas:

  • contra a gripe (especialmente profissionais sanitários)
  • contra o pneumococo (especialmente se existirem comorbidades, como doenças cardíacas ou respiratórias)
  • contra o tétano/difteria/coqueluche (reforço)
  • contra o sarampo/caxumba/rubéola (principalmente se não se conhece a história de vacinação e não existe certeza de ter recebido a vacina na infância ou de ter tido a doença, e nas mulheres em idade fértil, antes da gravidez)
  • contra o herpes zoster (reforço)
  • contra a hepatite A (especialmente profissionais sanitários)
  • contra a hepatite B (especialmente profissionais sanitários)
  • contra a meningite.

Pontos relevantes

  • As vacinas são necessárias para a prevenção e controle adequado de diversas doenças infecciosas.
  • São eficazes, seguras, confiáveis e, na grande maioria dos casos, bem toleradas.
  •  Deve-se avaliar a recomendação do seu uso tanto em crianças como em adultos, em idosos, e em populações expostas a situações de risco de infecção especialmente alto.


Principais referências bibliográficas

Conflitos de interesse: o palestrante declarou que não existiam conflitos de interesse relacionados com os conteúdos da sua palestra.

Elaborado por: Silvia Paz Ruiz, MD

Revisado por: Victor Desmond Mandel, MD


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