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RESUMOS

Psoríase

Psoríase: inflamação, imunidade inata e alvos para futuras medicações

Apresentado por: Marius-Anton Ionescu, PhD
Dept. of Dermatology, Dermatology Outpatient Polyclinic, University Hospital “Saint-Louis,” Paris, France

Ao logo do tempo, diferentes tratamentos para psoríase (tabela 1) foram desenvolvidos. A especificidade e eficácia das novas terapias possibilitaram um maior número de pacientes atingir PASI 75 em 12 semanas, assim como tornaram-se disponíveis opões terapêuticas tanto para formas mais leves como mais graves da doença.

O controle terapêutico habitual da psoríase considera o tratamento tópico local, nas formas mais leves, fototerapia, nas formas moderadas, até tratamentos sistêmicos imunosupressores, nas formas mais graves e resistentes. O tratamento com agentes biológicos (bioterapia dirigida para alvos moleculares pequenos: anti-TNF, anti-IL12/23, anti-IL17) é reservado para pacientes com psoríase em placas crônica, formas graves, com resposta insuficiente, ou intolerância, ou contraindicação a, pelo menos, dois tratamentos sistêmicos clássicos, ou para fototerapia, e uma forma extensa e/ou com impacto psicossocial significativo. Como potenciais alvos moleculares para futuros tratamentos estão sendo investigadas vias que envolvem a ação de interleucinas nas células dendríticas da pele, bem como a diferenciação dos linfócitos T e os perfis de T helper (Th) e T reguladores (Treg) (IL12/IL23, IFN gamma, IL2, IL17, IL22, IL6, IL10, IL4, IL5, IL31, IgE, IL13). Na tabela 2, encontram-se resumidos os agentes biológicos aprovados e em desenvolvimento em 2018 para o tratamento da psoríase na Europa.

São receptores sentinelas, inespecíficos, que podem ser ativados por trauma, elementos microbianos, fungos, estresse, entre outros. Estão localizados na membrana (transmembrana) ou no citosol (endoplasmáticos) das células da pele, e também do trato respiratório e intestinal. Sua ativação provoca a expressão de uma grande cascata de interleucinas pró-inflamatórias e de outros neuromediadores, razão pela qual constituem um alvo molecular interessante para futuros tratamentos. Postula-se que a psoríase possa ser desencadeada pela ativação dos receptores Toll like 2 (TLR 2) e/ou TLR 7 na presença de células dendríticas. Os TLR 2 são um ponto chave na resposta imune inata e estão envolvidos em muitas dermatoses inflamatórias como acne, dermatite atópica, dermatite seborreica e psoríase. Nas placas de psoríase foi observado um aumento da expressão de TLR 1 e 2. Os TLR 2 ativam-se nas lesões precoces da psoríase, enquanto os TLR 7, presentes nas células dendríticas da pele, se relacionam mais com a exacerbação das lesões por psoríase. Tanto os TLR 2 como os TLR 7 são ativados na presença de IL17.

Danger Associated Molecular Patterns (DAMPs) são sinais presentes no tecido comprometido pelo processo inflamatório da psoríase. Propõe-se que os DAMP ativem a cascata inflamatória dependente de TLR 4 antes da expressão de TNF-alfa, constituindo outros alvos terapêuticos potencialmente relevantes.

Os pacientes com psoríase e artrite psoriásica têm padrões bacterianos que parecem ser específicos e estar relacionados com o tipo de doença de que padecem. Esses padrões indicam uma disbiose, isto é, um desequilíbrio da microbiota intestinal. Observou-se que a microbiota intestinal dos pacientes com artrite psoriásica é menos diversa quando comparada à microbiota de controles saudáveis. Por outro lado, a composição microbiana da microbiota intestinal na artrite psoriásica (não na psoríase em placas) é semelhante à dos pacientes com doença inflamatória intestinal.

O estresse psicológico é considerado um fator importante no desencadeamento da psoríase e de outras afeções crônicas da pele como a dermatite atópica, urticária ou prurido. Neuromediadores como VIP (vasoactive intestinal peptide: péptido intestinal vasoativo) e CGPR (calcitonin gene-related peptide: péptido relacionado com o gene da calcitonina) são ativadores das células dendríticas na presença de psoríase, e sua concentração no plasma de pacientes submetidos a estresse psicológico e psoríase está elevada.

Em estudos nos quais se compararam as bactérias aeróbias cultiváveis da pele normal com as da pele com psoríase, não foram encontradas diferenças significativas entre as populações de bactérias identificadas. Também se estudou o efeito do neuropéptido P sobre o microbioma da pele e observou-se que este pode aumentar a citotoxicidade, adesão e formação de microbiofilme das bactérias da pele. Essas alterações da citotoxicidade bacteriana podem ativar a imunidade inata através dos TLR 2, com estimulação das células dendríticas e surgimento de inflamação. Em outros trabalhos mais inovadores, foi testada uma emulsão tópica com TLR 2-REGUL 1% em monoterapia em pacientes com psoríase em placas leve, e obteve-se uma diminuição do PGA superior a 50% após 56 dias de tratamento, com boa tolerância cutânea. Também foram obtidos resultados favoráveis com a mesma emulsão em pacientes com dermatite seborreica.

Pontos relevantes

  • Houve grandes avanços no conhecimento e tratamento da psoríase durante as últimas décadas.
  • Os tratamentos tópicos e sistêmicos atuais para a psoríase são orientados principalmente para alvos moleculares envolvidos mais tardiamente na cascata inflamatória. É necessário estudar os efeitos de tratamentos dirigidos para alvos moleculares que atuam mais cedo na inflamação.
  • O microbioma e os TLR podem ser alvos importantes para o desenvolvimento de futuros tratamentos para a psoríase.


Principais referências bibliográficas

Conflitos de interesse: o palestrante declarou que não existiam conflitos de interesse relacionados com os conteúdos da sua palestra.

Elaborado por: Silvia Paz Ruiz, MD

Revisado por: Victor Desmond Mandel, MD


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