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RESUMOS

Alopécia

O que há de novo em alopécias

Apresentado por: Dra. Cristina Serrano Falcón
Dept of Dermatology, Hospital de Guadix, Granada, Spain

Observou-se que a alopécia androgênica masculina em jovens parece ter um fenótipo equivalente ao da mulher portadora da síndrome do ovário policístico, com um risco maior implícito de desenvolver obesidade, síndrome metabólica, doença cardiovascular e infertilidade. Esses pacientes também têm o seu perfil lipídico alterado, o que explicaria a associação com doença cardiovascular.Apresentam cálculos renais com maior frequência, assim como níveis plasmáticos mais baixos de vitamina D e mais altos de leptina.Têm maior probabilidade de desenvolver melanoma e câncer de pele espinocelular e basocelular. Os avanços diagnósticos baseiam-se na identificação de novas vias moleculares que possam servir como alvos terapêuticos.

O tratamento habitual é efetuado com minoxidil para o qual se otimizaram os excipientes (nanossomas, que implicam menor eritema e descamação) e a formulação (efervescente, com maior penetração no folículo piloso). Também se usam dermaroller e laser fracionado não ablativo para produzir microperfurações que poderiam estimular o crescimento do pelo por um efeito mecânico nas células-tronco existentes no folículo piloso. Foi desenvolvido um teste para prever a resposta ao minoxidil (que costuma ser de 40% nas mulheres) com uma sensibilidade de 93% e uma especificidade de 83%.

Outros fármacos usados frequentemente são a finasterida e a dutasterida (inibidores da 5-alfa-redutase). Deve-se ter em mente os potenciais efeitos negativos sobre a função sexual masculina, assim como o potencial risco de autolesões e depressão que esses medicamentos podem ter associados. O tratamento com plasma rico em plaquetas, embora apresente resultados similares a outros tratamentos, está associado a uma alta satisfação (superior a 75%) dos pacientes, assim como o tratamento com laser de baixa potência. Outros tratamentos com resultados mais anedóticos são a toxina botulínica, solução de cafeína 0,2%, carboxiterapia e suplementos nutricionais. As novas alternativas terapêuticas procuram, pelo menos, a mesma eficácia das opções tradicionais, mais com menos efeitos adversos. Incluem o minoxidil por via oral (associado a doses baixas de espironolactona), os inibidores dos receptores das prostaglandinas D2, agonistas tópicos da via da WNT/B-catenina, e células-tronco.

Quando ocorre na barba, pode ser difícil de tratar, embora seja usual atribuir-se pouca importância a essa localização. Contudo, o seguimento do paciente é relevante porque até aproximadamente 45% deles desenvolvem alopécia areata do couro cabeludo (em placas). Cerca de 64% dos pacientes com alopécia areata desenvolvem distrofia das unhas. O diagnóstico baseia-se nos resultados da dermoscopia, cujos sinais são associados à gravidade da doença, assim como os níveis baixos de vitamina D e de zinco. Foram descritas associações entre a alopécia areata e a infecção por Helicobacter pylori, assim como alterações dos níveis dos hormônios tireoidianos, que podem requerer erradicação ou normalização, respectivamente, parade ter a progressão da alopécia.

O tratamento habitual é tópico com minoxidil ou calcipotriol, entre outros. Também se usam pulsos de corticoides (mais de 50% do couro cabeludo afetado), triancinolona intralesional (com alopécia em menos de 50% do couro cabeludo), metotrexato, alitretinoina, sensibilização (em pacientes menos respondedores), imunoterapia tópica, crioterapia (poucas placas), transplante de microbiota fecal, fototerapia, sinvastatina/ezetimiba (resultados não conclusivos), inibidores das JAK cinases (recaídas frequentes), e minoxidil oral em efluvio telógeno crônico, com melhora significativa da queda do cabelo (resultados preliminares).

É diagnosticada cada vez mais frequentemente, embora a sua etiopatogenia não seja conhecida. Assume-se que exista um distúrbio imunológico que causa a doença. As suas principais características estão resumidas na tabela 1.

Considera-se que tem uma base imunológica. Costuma estar associado ao lúpus eritematoso sistêmico e à redução do risco de desenvolver diabetes nas mulheres. São usados corticosteroides tópicos, hidroxicloroquina, metotrexato e naltrexona como alternativas de tratamento.

Pontos relevantes

  • A alopécia nas variantes comentadas (androgênica, areata, frontal fibrosante) está associada a comorbidades cutâneas e não cutâneas importantes que devem ser avaliadas e acompanhadas nos pacientes.
  • Tanto os tratamentos tradicionais como as novas alternativas terapêuticas apresentam resultados e taxas de êxito variáveis, dependendo de cada paciente.
  • Juntamente com a eficácia e segurança, a satisfação do paciente com o tratamento para a alopécia é um aspecto muito importante a considerar para definir a estratégia terapêutica.
  • Existem muitos estudos em desenvolvimento para fornecer mais informação sobre os mecanismos fisiopatológicos e elementos diagnósticos e terapêuticos da alopécia.


Principais referências bibliográficas

Conflitos de interesse: o palestrante declarou que não existiam conflitos de interesse relacionados com os conteúdos da sua palestra

Elaborado por: Silvia Paz Ruiz, MD

Revisado por: Victor Desmond Mandel, MD


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