Feedback RADLA 2018

RESUMOS

Luz visível, radiação infravermelha

Luz visível, radiação infravermelha e envelhecimento da pele: atenção especial à hiperpigmentação induzida pela luz visível

Apresentado por: Dr Thierry Passeron
Dept. of Dermatology, University Hospital Center of Nice, France

A luz solar é composta por ondas de diferentes comprimentos que atingem diferentes profundidades na pele. Quanto maior o comprimento de onda, mais profundamente incidem os raios na pele. Os raios ultravioleta B (UVB) chegam principalmente à epiderme, enquanto que os raios ultravioleta A (UVA), a luz visível e os raios infravermelhos (IV) podem penetrar muito mais profundamente no interior da pele. Tanto a luz visível como os raios IV provocam dano oxidativo no DNA e em outras moléculas, bem como alteração da vascularização.

Em um trabalho recente, as regiões dorsais de voluntários foram: 1. expostas à luz solar natural; 2. expostas à luz solar com filtros para raios UV; e 3. cobertas com roupa para ter somente a ação do calor sobre a pele. Essas áreas foram biopsiadas. Com a luz visível e os raios IV, observou-se que aumentaram significativamente as metaloproteinases da matriz de colágeno [Matrix metalloproteinase-1 (MMP-1; MMP-9)] e que diminuiu a produção de colágeno. Por outro lado, o calor aumentou a produção de metaloproteinases (MMP-1 e MMP-9), mas não afetou a produção de colágeno. Trata-se de um dos primeiros estudos que demostrou como a luz visível e os raios IV podem afetar o colágeno e outras estruturas relacionadas com o envelhecimento da pele. Foi também observado que se forem usados antioxidantes diretamente na pele exposta (o que não é fácil de se conseguir), pode-se reduzir a quantidade de metaloproteinases produzidas.

Usando a espectrofotometria, demonstrou-se que com os raios UV e a luz visível há aumento significativo do estresse oxidativo da pele. Esses resultados são mais significativos em humanos vivos do que em modelos ex vivo ou in vitro. Tanto os raios UV como a luz visível alteram também a composição lipídica do estrato córneo. A exposição aos raios UVB é um dos principais fatores do envelhecimento da pele, além de provocar hiperpigmentação e danos no DNA. Os raios UVB induzem a produção da proteina p53, que iniciará a reparação da pele ou a apoptose celular quando existirem danos. Foi observado também que a p53 consegue estimular a ação do hormônio pró-opiomelanocortina (POMC), que é promotor da produção do hormônio alfa estimulante de melanócitos (α-MSH). Este, por sua vez, ativará os mecanismos para a produção e acúmulo de melanina nos melanossomas, bem como a produção de proteínas responsáveis pelo transporte dos melanossomas para os queratinócitos para induzir a hiperpigmentação da pele.

Em um estudo desenhado para demonstrar quais as ondas do espectro da luz visível estão envolvidas na hiperpigmentação da pele, avaliaram-se a luz azul e a luz vermelha. Observou-se que a luz azul consegue produzir hiperpigmentação de longa duração e relacionada com a dose de exposição em pele de fototipo igual ou superior a III. O mecanismo responsável não é o mesmo que o dos raios UVB. Concluiu-se que a luz visível tem um papel proeminente na hiperpigmentação da pele, apesar de nem toda a luz visível, mas apenas a azul, estar envolvida neste processo. A dose pigmentante da luz azul corresponde a entre uma hora e meia a três horas (90 a 180 minutos) de exposição ao sol no verão. A luz vermelha não atua na pigmentação da pele. Os protetores solares protegem contra os raios UVB, mas não protegem contra a luz visível que fornece uma dose suficiente de radiação pigmentante. Esse é um efeito do sol na vida diária que deve ser levado em consideração.

Para saber se a luz visível tem algum efeito na recorrência do melasma, for realizado um estudo monocêntrico com 40 pacientes. Observou-se que se for usado um filtro protetor muito eficaz contra raios UVB, UVA e luz visível (luz azul) durante todos os meses de verão, a recorrência do melasma diminui significativamente. Demonstrou-se que é muito importante proteger os pacientes com melasma tanto contra os raios UVA (ondas longas) e UVB, bem como contra os raios de luz visível (luz azul). Os distúrbios de pigmentação da pele agravam-se com a exposição ao sol se não for usada uma proteção completa.

A luz azul também pode produzir hiperpigmentação pós-inflamatória. Os mecanismos biológicos que explicam a hiperpigmentação da pele induzida pela luz azul não são conhecidos. Contudo, após a exposição dos melanócitos à luz azul, demonstrou-se que esta é capaz de estimular diretamente a melanogênese através estimulação do sensor Opsin3. Opsin3 é um receptor sensível à luz azul que os melanócitos expressam em grande quantidade na sua membrana. Observou-se que se fosse possível silenciar os receptores Opsin3, não se detectava hiperpigmentação após a exposição à luz azul. Verificou-se também que a luz azul induz a formação do complexo Tyr/p que leva a uma atividade da tirosinase sustentada nos melanócitos. Quando isso ocorre, a melanogênese produzida perdura durante um longo tempo.

Pontos relevantes

  • A radiação solar, com diferentes comprimentos de onda, tem um efeito nocivo na pele.
  • A luz visível e os raios infravermelhos induzem o envelhecimento da pele através da produção de radicais livres. Estes radicais livres favorecerão a ativação de metaloproteinases que degradam a matriz celular e diminuem a quantidade de colágeno. In vitro, pode-se prevenir essa ação dos radicais livres usando antioxidantes.
  • A luz azul favorece a hiperpigmentação pós-inflamatória e a recidiva do melasma.
  • A luz azul estimula uma hiperpigmentação potente e prolongada da pele de fototipo igual ou superior a III atuando no sensor Opsin3 sensível à luz, que se expressa na membrana dos melanócitos.
  • É importante usar filtros solares cujo espectro de ação proteja não só contra os raios UVB, mas também contra ondas longas UVA e contra a luz azul, em pacientes com distúrbios de pigmentação. Nesse caso, os antioxidantes não teriam efeito pois a luz azul atua diretamente sobre o sensor Opsin3.


Principais referências bibliográficas

Conflitos de interesse: o palestrante declarou que não existiam conflitos de interesse relacionados com os conteúdos da sua palestra.

Elaborado por: Silvia Paz Ruiz, MD

Revisado por: Victor Desmond Mandel, MD


RESUMOS

Fotoproteção

Novos conhecimentos em fotoproteção

Harvey Lui, MD, FRCPC

Orientações médicas

Orientações médicas em dermatología

Keneth J. Tomecki, MD

Pérolas terapêuticas

Pérolas terapêuticas radicalmente diferentes

Theodore Rosen, MD, FAAD

Vacinas

Vacinas em dermatologia – 2018

Keneth J. Tomecki, MD

Zoonoses

Zoonoses: amigos ou inimigos de quatro patas?

Tammie Ferringer, MD

Alopécia

O que há de novo em alopécias

Dra. Cristina Serrano Falcón

Doenças infecciosas

O que há de novo em doenças infecciosas em dermatologia?

Keneth J. Tomecki, MD